"Círculos que não se Fecham..." Experimento nº. 1
Escrito por Fátima Pontes Seg, 23 de Maio de 2011 21:27
Pedimos expressamente:
Não aceitem o habitual como coisa natural. "Pois, em tempos de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, NADA deve parecer natural, NADA deve parecer impossível de mudar....
Bertolt Brecht
Não aceitem o habitual como coisa natural. "Pois, em tempos de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, NADA deve parecer natural, NADA deve parecer impossível de mudar....
Bertolt Brecht
A montagem do espetáculo Círculos que não se Fecham... Experimento nº. 1 faz parte de um processo que a Escola Pernambucana de Circo, através da sua Trupe Circus, vem desenvolvendo desde que inaugurou o Centro Circo da Juventude, quando começamos a discutir mais amplamente as questões da juventude, principalmente as questões relacionadas à violência sofrida pelos jovens de todas as classes sociais, mas, principalmente os jovens das periferias urbanas. As cenas, os números circenses e as coreografias nos trazem para a reflexão, para perguntas pessoais e coletivas do por que de tamanha violência no mundo juvenil? O que ocorre que nos leva a conviver com essa violência de forma tão naturalizada?
Círculos que não se Fecham... Experimento nº. 1 propõe pensar a juventude contemporânea e tornar relevantes seus espaços, seus pensamentos, suas idéias e suas práticas. Mas também queremos levantar questões que apontam para uma realidade assombrosa: o que leva um jovem a agredir, a matar, a destruir suas vidas nas drogas, a não ter perspectiva de vida e com isso seguir por caminhos tão obscuros? O que esses jovens com essas atitudes querem dizer, gritar, serem vistos, ouvidos? Por quem?
Com o espetáculo, queremos chamar a atenção de que é preciso considerá-los como agentes transformadores na sua comunidade, na sua cidade e no País, como seres sociais que estão além do dito popular: "a juventude é o futuro do País". O futuro se faz no presente, e é este presente que eles estão vivendo e é neste presente, que só será futuro "amanhã" que eles precisam ser considerados como seres humanos que não podem virar apenas estatísticas de uma violência urbana contemporânea. É preciso dar credibilidade aos caminhos que trilham, precisamos ser parceiros, ser amigos, estarmos atentos e fortes nesse caminho que se faz no caminhar, afinal: "um passo à frente e você já não está mais no mesmo lugar".
Círculos que não se Fecham... é assim mesmo, um experimento porque não temos respostas, levantamos questões que nos angustiam todos os dias quando lemos as páginas dos jornais e vemos as notícias de tantas e tantas mortes trágicas de jovens, principalmente negros e das periferias da cidade. Círculos... traz nossas angústias para a cena, aquilo que vivemos e buscamos viver. A nossa prática, nossa confiança e o respeito pela juventude e por suas questões existenciais, por que: "É com essa juventude que não corre da raia, a troco de nada, eu vou no bloco dessa mocidade que não tá na saudade e constrói a manhã desejada".
A encenação provoca os sentidos e a reflexão dos espectadores sobre esta realidade. Em cena a violência, mas também a poesia, a alegria da juventude, o prazer de estar em grupo, o prazer de fazer o que se gosta, os sonhos de um mundo melhor, mais humano. É a juventude vista não apenas pela ótica da "incapacidade", da "marginalidade", mas sim, e principalmente, pela ótica, pela percepção, pela confiança em suas potencialidades, capacidades, talentos, alegria de viver e realizar seus sonhos de vida.
Círculos que não se Fecham... Experimento nº. 1 busca envolver o público num turbilhão de emoções a partir das experiências de vida de cada um desses jovens representados em cena, mas que existem na realidade, vivenciando através dos números circenses esses círculos que formam a vida individual e coletiva de cada um. Círculos que não se fecham porque fazem parte da vida desses jovens que estão em cena, dos demais que estão "ao nosso redor", de nós mesmos, de nossas vidas... Círculos que, às vezes aparecem mais fechados e às vezes mais abertos, mas que nunca se fecham completamente, pois são eles os passos do nosso caminhar na vida, mas "é preciso saber viver"... por que: "desde o começo do mundo que o homem sonha com a paz, ela está dentro dele mesmo, ele tem a paz e não sabe. É só fechar os olhos e olhar pra dentro de si mesmo". Então vamos nessa!
Fátima Pontes
Coordenadora da EPC
Diretora do espetáculo

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