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| Rudimar Constâncio Autor do livro Circo Social: A Experiência da Escola Pernambucana de Circo |
Corria o ano de 2002 e a equipe dos canadenses do Cirque du Soleil estava em Pernambuco e buscava um espaço para ministrar uma oficina com os integrantes da Escola Pernambucana de Circo (EPC). Conseguiu fazer o curso com os monitores da ONG no Sesc Piedade, onde já trabalhava o ator e diretor de teatro Rudimar Constâncio. "Desci para vê o trabalho e fiquei encantado", recorda Rudimar, que lança hoje o livro Circo social: A experiência da Escola Pernambucana de Circo, na Estação Cultural Senador José Ermírio de Moraes, em Piedade.
Fruto do curso de especialização no Ensino de Artes da Universidade Federal de Pernambuco, a pesquisa foi realizada por Rudimar Constâncio em 2005 e recebeu atualização para a publicação, com patrocínio do Funcultura (de quase R$ 30 mil). A construção da nova sede da Escola, construída com a ajuda da Oxfam, na Vila do Buriti, na Macaxeira, há três anos, foi acrescentada ao estudo, inclusive com imagens. O professor Marco Camarotti chegou a ser convidado para orientar a pesquisa, mas veio a falecer. A tarefa coube a João Denys Araújo, que assina o prefácio do livro e maestria de forma emocionada e espetacular.
Ilustrado com fotografias de espetáculos da EPC e com diagramação colorida de Claudio Lira, a publicação registra a trajetória da instituição, mas seu maior mérito é ir além de contar a história e elencar espetáculos e ações culturais. "O mais importante foi fazer o embate entre as opiniões dos integrantes da escola, pois distribuímos questionários para alunos, monitores e funcionários", conta o autor. "O que me chama a atenção é o aprimoramento técnico. Eles não se dizem profissionais, mas têm ensaios diários, ganham cachê e buscam o apuro estético. Além de serem muito transparentes com as informações, têem uma gestão compartilhada", ressalta Rudimar. Para Fátima Pontes, coordenadora da ONG, que entrou na EPC dois anos após a fundação da escola, era um sonho antigo registrar a trajetória deles. Mas faltava um pesquisador que analisasse o processo pedagógico do circo-educação e se dispusesse a conferir se os jovens atendidos pela ONG conseguiram ou não sair da situação de risco social. "Buscamos a construção de uma nova visão da arte circense. É maravilhosa esta visibilidade alcançada pelo livro, que mostra que temos coisas boas e também problemas a sanar", admite Fátima Pontes.
Ela destaca que atualmente são 20 integrantes na Trupe Circus, o braço artístico da ONG, e mais cerca de 80 alunos, entre crianças e adolescentes, na escola, recebendo aulas de música, teatro, dança e circo. Hoje, eles ensaiam um novo espetáculo, Círculos que não se fecham, sobre a violência na juventude, e marcado para estrear em maio. Mas todas as produções da EPC, a exemplo de O vendedor de caranguejo (à esquerda), Presepadas ou Ilusão - Um ensaio melodramático circense, estão elencadas no livro.
Por: Tatiana Meira (Diário de PE) / tatianameira.pe@dabr.com.br


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